terça-feira, 7 de abril de 2020

Viaduto Santa Ifigênia
























Viaduto Santa Ifigênia é um  viaduto localizado no centro de São Paulo,   com uso exclusivamente para pedestres. Ele começa no Largo São Bento, próximo a estação   de metrô São Bento, e termina em frente à  igreja de Santa Ifigênia,   interligando dois pontos históricos importantíssimos para o município de  São Paulo.
Sua  estrutura, pensada pelo arquiteto Giulio Micheli e desenvolvida pelos engenheiros Giuseppe Chiapori e Mário Tibiriçá, foi totalmente fabricada na Bélgica  e tinha o intuito de melhorar o trânsito e a circulação de carros, carruagens e bondes durante o período do século XIX, que atravessavam o  Vale do Anhangabaú.  O viaduto foi montado entre os anos  1910 e 1913 e inaugurado em 26 de julho de 1913, pelo  prefeito Raymundo Duprat. 

Atualmente, o viaduto é uma das principais ligações dos pontos mais altos do centro de São Paulo,  passando sobre o  Vale do Anhangabaú e a avenida Prestes Maia  e assim ligando o centro velho ao centro novo da cidade de São Paulo. O Viaduto Santa Ifigênia, de estilo  Art Noveau,  é um dos principais cartões postais da cidade de São Paulo.
Entre o Viaduto Santa Ifigênia e a Rua Duque de Caxias, há diversas lojas e pequenas galerias que vendem os mais diversos tipos de produtos eletrônicos, como computadores, vídeo games, celulares, equipamentos de sons e luzes e instrumentos musicais e além da venda desses diversos produtos, também conta com lojas que disponibilizam o conserto deles por preços mais acessíveis. E além da diversidade, é possível adquirir descontos consideráveis nestes produtos pois os vendedores negociam os preços para que se tornem acessíveis para seus clientes.
Assim como na famosa rua  25 de Março,  a Santa Ifigênia (conhecida popularmente) é um excelente lugar para fazer compras, principalmente em datas comemorativas como Natal e Dia das Crianças.


História






São Paulo teve sua população multiplicada e sua malha urbana expandida ao final do século XIX,  por conta da economia do café, criando uma demanda por melhorias no transporte e trânsito da cidade. Em  1901 foi apresentado à Câmara Municipal  um projeto de um viaduto que ligaria o Largo de São Bento ao  Largo Santa Ifigênia.  Seria o segundo viaduto a transpor o  Vale do Anhangabaú,  já que já existia o  Viaduto do Chá, inaugurado em 1892. 
A construção do Viaduto Santa Ifigênia só começou, de fato, em  1910  e foi concluída apenas em  setembro de 1913.  Mesmo com os três anos que a obra durou o viaduto foi começado e teve fim ainda no mandato do então prefeito  Raymundo Duprat.  Para a construção do projeto 250 mil  libras  foram emprestadas dos ingleses, foi o primeiro endividamento externo realizado pela Prefeitura de São Paulo.






A estrutura do viaduto foi totalmente fabricada na
Bélgica.  Cerca de mil e cem toneladas de estrutura metálica desembarcaram no porto de  Santos  e chegaram na região pela estrada de ferro São Paulo Railway. A montagem foi realizada pela empresa Lidgerwood Manufacturing Company Limited, sob a direção do engenheiro Giuseppe Chiappori, sócio de Giulio Micheli e Mário Tibiriçá, enquanto a execução das fundações ficou a cargo do mestre de obras e carpinteiro alemão Johann Grundt. Um ano além do prazo previsto, devido às desapropriações e indenizações, falta de mão-de-obra qualificada e orçamento comprometido, o Viaduto Santa Ifigênia foi finalmente inaugurado no  26 de julho de 1913 pelo prefeito Raymundo Duprat,  com festa e travessia de bondes e automóveis.
O objetivo ao construir este viaduto era, além de ligar os Largos São Bento e Santa Ifigênia, melhorar o trânsito de carros e carruagens que enfrentavam a ladeira da  Av. São João,  além de melhorar o trânsito da rua XV de Novembro e da rua São Bento, por onde passavam os bondes. Assim, haveria uma maneira mais eficiente de ligar um lado do  Anhangabaú  ao outro. Na  década de 1970,  a estrutura foi protegida por Lei Municipal de Zoneamento. No final da mesma década o Viaduto passou por uma reforma que recuperou sua estrutura e passou a ser exclusivo para passagem de pedestres. Com essa reforma, as luminárias foram substituídas por luminárias antigas, conhecidas como São Paulo Antigo, o calçamento passou a ser de pastilhas coloridas, com as cores do arco-íris e foi colocada uma escada que dá acesso ao Vale do Anhangabaú. 




Arquitetura








O Viaduto Santa Ifigênia é uma via elevada para a passagem de pedestres sobre a  Avenida Prestes Maia  une o Largo de São Bento ao Largo Santa  Ifigênia.   Possui bases de concreto decorados com pilares de onde se elevam arcos metálicos que proporcionam aparente leveza ao viaduto projetado pelo arquiteto Giulio Micheli e os engenheiros Giuseppe Chiapori e Mário Tibiriçá.

O piso pavimentado de pastilhas sobre lajes de concreto, forma tapetes geométricos tricolores. Junto ao piso, destaca-se também pequenas valas com grelhas metálicas para captação de água da chuva.

O Viaduto Santa Ifigênia também pode ser acessado a partir de uma escada pavimentada por pastilhas de borracha na Praça Pedro Lessa, onde, atualmente, encontra-se o  Terminal Correio,  localizado ao lado do edifício  Mirante do Vale.  Foi construído a partir de mil e cem toneladas de ferro que vieram da Bélgica. As peças que juntas compõem o estilo art noveau.
Em  1978  o viaduto Santa Ifigênia foi entregue reformado e reinaugurado com a implementação de um calçadão, com peças da mesma empresa que havia fornecido as estruturas originais.
Em  1982,  foi pintado com as cores do arco-íris (Vermelho, Laranja, Amarelo, Verde, Azul, Anil e Violeta).
O estilo  Art noveau  fica nítido nas grades de proteção do viaduto, que, seguindo o conceito do estilo, destaca as linhas curvas e formas inspiradas em flores e folhagens.


Importância cultural

O Viaduto Santa Ifigênia é uma via com duzentos e vinte e cinco metros de extensão, marcada pelo avanço econômico e cultural da cidade de  São Paulo  durante o  século XIX.  As atividades cafeeiras demandaram uma nova estrutura para o trânsito de carroças, bondes e para o trânsito de uma população que só tendia ao aumento. O viaduto veio como uma proposta de melhoria na circulação por dentro da cidade e, no decorrer dos anos, transformou-se em um dos principais pontos turísticos da cidade de São Paulo.  Atualmente, o viaduto é exclusivamente para a travessia de pessoas, interligando pontos importantes do centro novo e do centro velho da cidade, como por exemplo Rua Santa Ifigênia, Avenida Cásper Líbero, Rua Antônio de Godói e o Largo do Paissandú, assim como fazia o viaduto do Chá que também foi construído com o intuito de otimizar o tempo dos paulistanos e turistas. O Viaduto Santa Ifigênia foi a primeira grande obra viária paulistana amplamente documentada através da fotografia, cujas imagens são pouco conhecidas pelos paulistanos.


Estado atual

O Viaduto Santa Ifigênia, apesar de protegido pela Lei de Zoneamento e tombado como um patrimônio histórico e cultural da cidade de São Paulo, é alvo de vandalismo, que ocorre pela falta de policiamento no local. Atualmente, sua estrutura encontra-se firme, porém gasta pelo tempo e pela depredação. Em toda a sua extensão, o viaduto tem pichações contrastando com a arquitetura  Art Noveau.
 Ainda assim, possui postes quebrados e utilizados como lixeiras, ferrugem nas partes metálicas, pastilhas soltas pelo piso e pelas escadas e também moradores de rua localizados na Praça Pedro Lessa que vivem sob a cobertura do viaduto.





domingo, 5 de abril de 2020

Tribunal da Justiça de Sao Paulo









Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP) é um órgão brasileiro do poder judiciário do estado de São Paulo, com sede na capital estadual e jurisdição em todo o território estadual. 














Atribuições

O Tribunal de Justiça de São Paulo, como órgão superior do Poder Judiciário  do estado, é a instância recursal  às sentenças proferidas por  juízes de Direito  (de primeira instância) nas comarcas do estado.  As suas atribuições são definidas pela  Constituição do Estado de São Paulo  (em seu artigo 74), sendo algumas delas:
  • Processar e julgar originariamente:
  1. nas  infrações penais comuns: o  vice governador, os secretários de Estado,  os  deputados estaduais, o procurador geral da   Justiça, o procurador-geral do Estado, o  defensor público  Geral e os  prefeitos.
  2. nas infrações penais comuns e nos  crimes de responsabilidade :  os juízes do  Tribunal de Justiça Militar,  os juízes de Direito e os  juízes de Direito do juízo militar,  os membros do  Ministério Público,  exceto o procurador-geral de Justiça, o  Delegado Geral da Polícia Civil  do Estado de São Paulo.
  3. os mandados de segurança  e os  "habeas data" contra atos do  governador,  da Mesa e da Presidência da   Assembléia, do próprio Tribunal ou de algum de seus membros, dos Presidentes dos  Tribunal de Contas  do Estado e do Município de São Paulo, do procurador-geral de Justiça, do prefeito e do presidente da Câmara Municipal da Capital. 
  4. os “habeas corpus",  nos processos cujos recursos forem de sua competência ou quando o coator ou paciente for autoridade diretamente sujeita à sua jurisdição, ressalvada a competência do Tribunal de Justiça Militar, nos processos cujos recursos forem de sua competência.
  5.  os mandatos de injunção,  quando a inexistência de norma regulamentadora estadual ou municipal, de qualquer dos Poderes, inclusive da administração indireta, torne inviável o exercício de direitos assegurados nesta Constituição.
  6. a representação de  Institucionalidade de lei  de lei ou ato normativo estadual ou municipal, contestados em perante a Constituição Estadual, o pedido de intervenção  em Município e ação de inconstitucionalidade por omissão, em face de preceito da Constituição Estadual.
  7.  as ações rescisórias  de seus julgados e as revisões criminais  nos processos de sua competência.
  8. os conflitos de atribuição entre as autoridades administrativas e judiciárias do Estado.
  9. a reclamação para garantia da autoridade de suas decisões.
  10. a representação de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo municipal, contestados em face da Constituição Federa.
  11. provocar a intervenção da União  no Estado para garantir o livre exercício do Poder Judiciário, nos termos Constituição Estadual e da Constituição Federal
  • requisitar a intervenção do Estado em Município, nas hipóteses previstas em lei.


quarta-feira, 1 de abril de 2020

Galeria do Rock













Galeria do Rock, oficialmente Centro Comercial Grandes Galerias, é um centro comercial localizado na cidade de  São Paulo.  




História

O Centro Comercial Grandes Galerias foi construído em  1962,  pela construtora Alfredo Mathias S.A., e com projeto do Escritório de Arquitetura Siffredi e Bardelli. Parte de seus objetivos foi de ocupar o Centro Novo da cidade de  São Paulo. 
Inaugurado em  1963,  o edifício já se mostrava uma tendência pela especificação do comércio. No contexto da época, o comércio têxtil  predominava a galeria, que abrigava mais de 100 alfaiates. Mesmo com a especificação têxtil, a galeria contava com lojas de  serigrafia, salões de beleza  e assistências técnicas de produtos eletrônicos.
Com a vinda dos grandes  shoppings centers  no final da década de  60,  o empreendimento ficou abandonado por quase cinco anos após perder seus lojistas para os empreendimentos da  zona sul e oeste. 
No ano de  1976,  após passar quase meia década vazia, a galeria ganhou sua primeira loja  punk,  a Wop Bop, que foi mal vista pela administração, pois brigas entre punks,  skinheads e headbangers  começaram a se tornar comuns, assim como uso de drogas no local e furtos. Os lojistas resolveram, então, reunir-se, mudar a administração e investir em segurança, decidindo proibir que novas lojas com o tema se instalassem ali. O temor era de que os hábitos dessa tribo espantassem a clientela comum, ofendendo a moral e os bons costumes.

Por volta da primeira metade da  década de oitenta,  tornou-se algo comum abrir lojas de discos nas galerias, e com a Grandes Galerias não foi diferente. Aos poucos começaram a abrir muitas lojas de discos. A partir desse momento começou a haver a instalação de públicos mais segmentados e específicos das diversas  tribos urbanas. 
Com o público consolidado proveniente da  década de oitenta  e com a nova administração da Grandes Galerias, em  1993,  houve oficialmente o fim da proibição a lojas  punk  e outras tribos urbanas.  As lojas do gênero  rock  tornaram-se soberanas, resgatando a tendência pela especificação do espaço, mas com um perfil completamente diferente do início da década de  60. época da inauguração do espaço.
A galeria foi uma das locações da novela das sete  Tempos Modernos e do seriado Aline, da emissora Rede Globo. 
Apresentações musicais na galeria tiveram destaque na mídia, quando, por exemplo, aconteceram shows que ajudaram a promover o festival Lollapalooza em 2013.  No dia do aniversário de 459 anos de  São Paulo,  a organização do festival fez da Galeria palco de quatro shows gratuitos. Aproveitando para comemorar, também, o aniversário de 50 anos do Centro Comercial, as bandas Tokyo Savannah, República e Revoltz SP, confirmadas no festival, agitaram o lugar que é referência do público ligado ao mundo do rock e do  heavy metal. 

Arquitetura

Projetado pelo arquiteto Alfredo Mathias, formado pela  Escola Politécnica da Universidade de São Paulo,  o Centro Comercial Grandes Galerias é dono de uma arquitetura bastante incomum, se comparado aos demais prédios do centro da cidade. A construção, cujo escritório responsável é bastante elogiado quando citado, é considerada um dos melhores projetos de Alfredo. Existe uma padronização nas construções do arquiteto, que seguem o estilo simples de onde as lojas estão localizadas, nas periferias do prédio, enquanto o centro possibilita fácil circulação, organizando o espaço e garantindo a aparência simétrica em todos os andares. As ondulações na fachada do prédio também são características do idealizador do edifício, assim como a não existência de marquises. Se analisada por andar, a Galeria alinha suas lojas de maneira organizada. O térreo aloja, em sua maioria, lojas de tênis e artigos de skate; já o segundo é popular pela predominância de lojas de discos, que foram as responsáveis pela salvação da Galeria nos  70.  No terceiro e primeiro andares as vendas são voltadas para roupas e acessórios, como bijuterias, buttons e mochilas. Já no quarto andar, estão localizadas as lojas de serigrafia (ou  silk screnn )  e de artes. No térreo, uns dos andares de acesso principal, estão as lojas de tênis e skate shops, enquanto que no subsolo, outro acesso principal, estão os salões de cabeleireiros e os produtos voltados para os amantes de  hip hop,  que vêm ganhando muito espaço na Galeria. É interessante notar a quantidade de estúdios de tatuagem e piercing existentes no Centro; são mais de dez. Além disso, outra curiosidade notada é a Beatles 4ever, uma loja inteiramente direcionada a produtos da banda de rock  The Beatles,  formada nos anos 60, que conta com artigos que vão desde canecas personalizadas até mochilas e bonecos feitos de biscuit.
Outro fato bastante curioso é a sensação de proporcionar ao público um olhar panorâmico da rua quando se está parado nas extremidades do prédio. É possível enxergar o interior do prédio, inclusive as escadas rolantes, quando parado na rua, assim como se pode ver a cidade de dentro do edifício. O escritório responsável pelo desenho do Shopping era composto por dois  italianos  emigrados para o Brasil que, na década de 1960, protagonizaram diversos projetos, hoje famosos, como, por exemplo, o antigo Hotel Hilton  e um conhecido prédio no bairro de  Higienópolis,  carinhosamente apelidado de "bolo de noiva" ou "navio". Os andares abrigam apenas um apartamento e seu formato de "V" faz com que a sala dê para o terraço enquanto os serviços (como cozinha e área de serviço) alojam-se sobre uma das pernas do "V" e os quartos e banheiros sobre a outra.

terça-feira, 31 de março de 2020

Postos de Combustíveis de São Paulo










Em  São Paulo e no Brasil ainda é muito raro uma cultura de preservação dedicada a arquitetura de postos de combustíveis. Quase nenhum deles é tombado como patrimônio histórico e são poucos os que são preservados para a posteridade, mesmo que em condições apenas razoáveis. Já a grande maioria como o da foto abaixo, já  demolidos:





Para tentar preservar ao menos fotograficamente a história dos postos de combustíveis antigos, o blog São Paulo Antiga adquiriu recentemente um lote de 12 slides com fotografias de postos de combustíveis produzidas no ano de 1950.
São imagens realizadas por um viajante dos Estados Unidos, já falecido, que não se sabe se vinha para a América do Sul fotografar postos de gasolina a trabalho ou como hobby. A grande maioria dos postos fotografados são da bandeira Esso, mas tem um ou outro de outras bandeiras.

Museu do Ipiranga



Com reabertura prevista para 2022, o Museu do Ipiranga, que foi fechado em 2013, passa por obras de restauro e modernização. Desde dezembro, uma equipe da empresa de software Autodesk realiza o mapeamento tridimensional de artigos do acervo, do edifício e de seu entorno.
“Precisamos nos mostrar presentes na cultura digital e também a distância”, afirma a diretora do museu, Solange Ferraz de Lima. O material poderá ser utilizado em passeios e games virtuais e na gestão da entidade, com integração ao sistema de segurança. “O modelo, associado a um banco de dados, é inteligente. Saberemos quantas árvores existem por lá, por exemplo”, explica o engenheiro Pedro Soethe.
Considerando-se as perdas incalculáveis no incêndio do Museu Nacional no Rio de Janeiro em 2018, o projeto consistirá também em uma forma de conservar o patrimônio do Ipiranga. “Trata-se de mais uma plataforma de documentação possível para nós”, diz Solange.
Publicado em VEJA SÃO PAULO de 12 de fevereiro de 2020, edição nº 2673.

História do Museu do Ipiranga











Museu Paulista da Universidade de São Paulo, mais conhecido como Museu do Ipiranga ou também simplesmente Museu Paulista, é o museu  público mais antigo da cidade de São Paulo , cuja sede é um monumento-edifício que faz parte do conjunto arquitetônico do  Parque da Independência.  É o mais importante museu da  Universidade de São Paulo  e um dos mais visitados da  capital paulista.



O museu foi inaugurado oficialmente em 7 de setembro de  1895  com o nome Museu de História Natural. Este importante símbolo da  Independência do Brasil  está vinculado à   Universidade de São Paulo  desde 1963, como uma instituição científica, cultural e educacional que exerce pesquisa, ensino e extensão com atuação no campo da  História. 
É responsável por um grande acervo de  objetos, mobiliário e obras de arte  com relevância histórica, especialmente aquelas que possuem alguma relação com a Independência do Brasil e o período histórico correspondente. Uma das obras mais conhecidas de seu acervo é o quadro  "Independência ou Morte", pintado pelo artista Pedro Américo,  em 1888, recebendo em média 350 mil visitas anuais. Além de exposições, as atividades do Museu do Ipiranga se estendem por meio de programas educativos, como cursos e pesquisas científicas que fazem uso dos recursos humanos e do acervo permanente da instituição. A ampliação de coleções se faz por meio de doações ou aquisições e parte importante das atividades desenvolvidas no museu envolve a conservação física, estudo e documentação do acervo.






Em 1922, no período do Centenário da Independência, formaram-se novos acervos, principalmente abrangendo assuntos da  História de São Paulo,  e executaram a decoração interna do edifício, contando com pinturas e esculturas no Saguão, na Escadaria e no Salão Nobre que apresentassem a  História do Brasil,  para assim reforçar a instituição como um símbolo histórico brasileiro. Foi nesta época que se instalou o Museu Republicano "Convenção de Itu",  uma extensão do Museu Paulista no interior do  Estado de São Paulo.  Desde agosto de 2013, o museu está fechado ao público "para obras, restauros e reparos" após um estudo apontar que a estrutura do prédio estava abalada. A previsão de reabertura é para o ano de 2022, como parte das comemorações do bicentenário da Independência



A data de 7 de setembro de 1822 como um marco da história nacional foi, também, uma construção política. O ato da proclamação, do então príncipe  Pedro I do Brasil, no Riacho do Ipiranga,  teve pouca repercussão na imprensa na Corte do Rio de Janeiro. Nem mesmo o próprio protagonista do episódio, D. Pedro, deixou registros a seu respeito na carta que escreveu dirigindo-se aos paulistas no dia seguinte ao Grito do Ipiranga. Somente em setembro de 1823, na Assembleia Constituinte, é que membros do governo da província de São Paulo iniciaram as discussões sobre a possível construção de um monumento em memória do Grito. Somente em 1826, o Parlamento aprovou a introdução do 7 de setembro na categoria de "festividade nacional".
A partir daí o debate acerca de uma construção imponente de demarcação da data histórica foi ganhando espaço, mas sempre sendo postergada sob a justificativa da falta de recursos. Foi somente entre 1885 e 1890, ao mesmo tempo em que se intensificaram as propagandas republicanas e a luta  abolicionista,  que se deu a resolução do que órgãos da imprensa paulista da época chamavam de “questão do Ipiranga”. Desta forma, em meio a muitos debates e desencontros de ordem política, o Museu do Ipiranga veio para demarcar definitivamente o lugar de proclamação da  Independência do Brasil,  assinalando no imaginário popular o momento a partir do qual teria se originado a nação brasileira.




O edifício, inicialmente projetado para concretizar a versão conservadora da proclamação da independência, adquiriu outros significados a partir da  Proclamação da República,  dentre eles o de “renascimento da nação”. Com sua apropriação pelo  governo do Estado de São Paulo,  que o transformou em museu público, a resinificação do monumento passou pela ideia de que a história do progresso nacional era a história do progresso de  São Paulo,  colocando a colina do Ipiranga como uma caminho articulador das riquezas com o  Porto de Santos, então recém-inaugurado.

Construção









O arquiteto e engenheiro italiano  Tommaso Gaudenzio Bezzi  foi contratado em 1884 para realizar o projeto de um monumento-edifício no local onde aconteceu o evento histórico da Independência do Brasil, embora já existisse esta ideia desde aquele episódio, em  1822. O edifício  começou a ser construído em 1885 e conta com 123 metros de comprimento e 16 metros de profundidade com uma profusão de elementos decorativos e ornamentais. O estilo arquitetônico e  eclético  foi baseado no de um palácio renascentista. A técnica empregada foi basicamente a da  alvenaria  de tijolos cerâmicos, uma novidade para a época (a cidade ainda estava acostumada a construir com  taipa de pilão).

As obras encerraram-se em 15 de novembro de 1890, no primeiro aniversário da República. Cinco anos mais tarde, foi criado o Museu de Ciências Naturais, que se transformou no Museu Paulista. Em 1909, o  paisagista belga Arsênio Puttemans  executou os jardins ao redor do edifício. Este desenho de jardim foi substituído, provavelmente na década de 1920, pelo paisagismo do alemão Reynaldo Dierberger, desenho que se mantém, em sua maior parte, até os dias atuais.

Em 1922, época do Centenário da Independência, o caráter histórico da instituição foi reforçado, quando novos acervos foram criados, com destaque para a História de São Paulo. A decoração interna do edifício foi criada, com pinturas e esculturas apresentando a História do Brasil no Saguão, Escadaria e Salão Nobre. Também foi inaugurado o Museu Republicano "Convenção de  Itu, extensão do Museu Paulista no  interior paulista.

Ao longo do tempo, houve uma série de transferências de acervos para diferentes instituições. A última delas foi em 1989, para o  Museu de Arqueologia e Etnologia  da USP.  A partir daí, a instituição vem ampliando seus acervos referentes ao período de 1850 a 1950 em São Paulo.

Como órgão da  Universidade de São Paulo  desde 1963, o museu exerce pesquisa, ensino e extensão.
 Até seu fechamento para reformas, o Museu Paulista possuía um acervo de mais de 125.000 unidades, entre objetos, iconografia e documentação textual, do século 17 até meados do século 20, significativo para a compreensão da sociedade brasileira, especialmente no que se refere à história paulista e conta com uma equipe especializada de curadoria. Desenvolve também um Projeto de Ampliação de seus espaços físicos.

Século XXI




Em agosto de 2007 o Museu Paulista sofreu com problemas relacionados a  segurança, quando 900 cédulas e  moedas  raras foram furtadas.  Neste acervo  encontravam-se moedas emitidas na  Áustria e na Alemanha durante a Primeira Guerra Mundial  e brasileiras do século XX. O furto foi descoberto por um funcionário que, enquanto limpava o banheiro  dos funcionários, encontrou em um saco de lixo algumas cédulas antigas e envelopes  usados para guardas as peças.

Em setembro de 2007 a policia conseguiu recuperar parte do acervo que havia sido furtado, porém ninguém foi preso. Na época o material furtado chegou a valer 100 mil  reais. 

Em consequência deste caso, a segurança do museu foi reforçada em dezembro de 2007, com a adição de novas câmeras de vigilância mais modernas e alarmes, e os funcionários passaram por um treinamento para aprenderem a lidar com casos de furtos e roubos




Restauração

Em agosto de 2013 o Museu Paulista foi fechado após a constatação de problemas em sua estrutura. Desde então, a maior parte do acervo do Museu foi transferida para imóveis locados exclusivamente para armazenamento desses volumes. Muitas peças do acervo vêm sendo emprestadas a outros museus e espaços culturais para a realização de mostras. A Biblioteca foi reaberta ao público em outro endereço no próprio bairro do Ipiranga, bem como as atividades acadêmicas e educativas que são oferecidas pela instituição. O Museu declarou uma previsão de gastos iniciais de 21 milhões de reais, mas posteriormente alterado para 100 milhões de reais.

O início das obras de restauração e modernização do museu foi previsto para 2019, e a reabertura prevista para 2022, ano da comemoração do bicentenário da  Independência do  Brasil.
Em outubro de 2019, as obras foram retomadas após seis anos parada. A empresa Concrejato foi anunciada como construtora selecionada para realizar o restauro e a modernização do edifício. Etapas previstas no projeto executivo tiveram início, entre elas a montagem do canteiro de obras, a proteção dos bens artísticos integrados à construção, o acompanhamento arqueológico, além de uma série de laudos, prospecções e planejamentos que irão garantir a execução segura da obra. Prospecções e testes laboratoriais são ações que integram uma intervenção desse tipo. A argamassa e as tintas são analisadas, pois precisam ter características especiais, semelhantes às que eram utilizadas no século XIX.
O museu será ampliado em cerca de 6 mil metros quadrados. A nova entrada, com ligação direta com o  Parque da Independência,  será instalada no nível das fontes. Ali, haverá uma área de acolhimento, além de salas para atendimento do programa educativo, café, loja, auditório e uma sala para exposições temporárias. Desse piso, um túnel levará até as escadas rolantes, pelas quais será possível entrar no hall do edifício histórico. Também serão instalados elevadores. Com duração de 30 meses, a obra deve custar cerca de 139,5 milhões de reais e é patrocinada via  Lei do Incentivo à Cultura pelas seguintes empresas:  Banco Safra, Bradesco, Caterpillar, Comgás, Companhia  Siderurgica´Nacional (CSN), EDP, Honda, Itaú, Vale SA, Sabesp e  Pinheiro Neto Advogados. Conta, ainda, com a parceria da Fundação Banco do Brasil e da Caixa Cultural.



terça-feira, 24 de março de 2020

Uma breve história do Mappin




Uma breve história do Mappin




Muitos estabelecimentos comerciais marcam a história das grandes cidades. São empresas muitas vezes centenárias que acompanham a evolução da região onde foram instaladas marcando gerações e gerações de pessoas através dos tempos. Em São Paulo o nome mais lembrado é, sem dúvida, o Mappin, que estaria celebrando um século em 2013 de existência,  se não tivesse encerrado suas atividades em 1999.
Toda sua trajetória em São Paulo começou em 29 de novembro de 1913, conforme o anúncio abaixo, publicado nos principais jornais paulistanos:
Crédito: Divulgação / O Estado de São Paulo
A história do Mappin começa na Inglaterra, no século 18, quando duas tradicionais famílias de comerciantes da cidade de Sheffield inauguraram uma loja bastante sofisticada para a época. A loja seguiu crescendo e posteriormente mudou-se para Londres, de onde iniciariam sua expansão ultramarina, chegando a Buenos Aires logo nos primeiros anos do século 20.
No final do ano de 1913, uma loja sofisticada e única surgia em São Paulo. Os irmãos Walter e Hebert Mappin inauguram, na Rua 15 de Novembro, a loja brasileira da Mappin Stores, que chegava para concorrer de frente com a tradicional Casa Allemã (grafia da época), fundada no século 19 e que estava localizada na Rua Direita.
Quando inaugurado o Mappin era um espaço bastante refinado e em sua loja era vendido somente produtos de origem importada, além de serviços como barbearia e salão de chá, que logo tornou-se o principal espaço paulistano de “chá das cinco” (five o’clock tea como gostavam de chamar)
A loja se tornou não somente um paraíso de compras da elite paulistana, como também um dos principais ponto de encontro das damas da cidade, que vinham até o Mappin não apenas para compras mas para conversar e passar o dia. A loja ficava lotada em todas as suas dependências praticamente durante o dia todo.
Entre as novidades trazidas pela loja a cidade de São Paulo, estavam as vitrines de vidro na fachada. Por mais estranho que isso possa parecer, até a chegada do Mappin não haviam vitrines deste tipo, as pessoas precisavam entrar dentro da loja para observar os produtos à venda. Isso foi uma vantagem inicial muito grande para eles, que logo viram seus concorrentes modificarem suas entradas.
Mas, como era o interior do Mappin na Rua 15 de Novembro ? A fotografia abaixo, tirada entre 1916 e 1917,  mostra as dependências internas da loja:
Setor de Móveis (clique para ampliar)
Com o intenso movimento do público e mais produtos chegando a todo momento, logo
 a loja da Rua 15 de Novembro ficou pequena para acomodar tantas novidades e apertada para os consumidores. Com apenas 6 anos de existência o Mappin mudou-se dali, em 1919, para seu novo endereço, na Praça do Patriarca, onde ficaria por pelo menos duas décadas.
Praça do Patriarca na década de 20 (clique para ampliar).
Praça do Patriarca na década de 20
No final da década de 20, veio a terrível crise de 1929, que esfriou a economia do mundo todo. A crise também atingiu o Mappin, que com ela e também a crise no mercado de café em virtude da quebra da bolsa de Nova Iorque viu sua clientela de elite reduzir consideravelmente. Para adaptar-se a nova realidade econômica, o Mappin inovou mais uma vez sendo o pioneiro a introduzir etiquetas de preços nas vitrines, atraindo consumidores de camadas mais baixas. Com isso chegaria outra novidade na loja: o crediário.
E desta forma o Mappin ganhou fôlego, retomou o crescimento e pode pensar em sua expansão, para seu novo e suntuoso prédio em art déco na Praça Ramos de Azevedo. A mudança para o endereço ocorreria em 1939.
Crédito: Douglas Nascimento / São Paulo Antiga
Alguns anos depois, na segunda metade da década de 40, o Mappin começaria a sentir o peso da aceleração da economia brasileira que atraia novos concorrentes. A rede passou a ter dificuldades a nova realidade econômica da nação e foi vendida, passando a ser controlada pelo advogado e empresário do ramo do café Alberto Alves Filho.
O novo administrador promoveria uma série de mudanças na operação da empresa, como a substituição dos produtos importados pelos nacionais, novas políticas de crediário e de funcionamento da empresa e a mudança da razão social, que a partir de então passou a ser Casa Anglo-Brasileira S/A. O empresário Alberto Alves Filho seguiu inovando a frente do Mappin, deixando a empresa cada vez mais popular e conhecida e, em 1972, abriu o capital da empresa. Ele seguiria no comando do Mappin até falecer em 1982.
Mesmo com o falecimento do empresário o Mappin não parava de crescer. Em 1983 foi considerada a empresa do ano e em 1984 uma pesquisa realizada pelo Instituto Gallup apontou que 97% dos paulistanos conheciam a empresa e que 67% deles já haviam comprado em alguma de suas lojas. A expansão seguiria adquirindo concorrentes, em 1991 o Mappin comprou 5 lojas da Sears e foi, talvez, a partir deste momento que o grupo começou a ficar muito maior do que deveria.
Mappin 1993 - Crédito: Divulgação
Fachada do Mappin no natal de 1982, anunciando o ano de 1983 
Em 1995 o Mappin anunciou o maior prejuízo de sua história, em quase 20 milhões de reais. O prejuízo foi deixando a empresa cada vez mais em dificuldade, levando aos rumores de que a herdeira e empresária Cosette Alves estaria preparando a venda da companhia. Ela resistiu e por muito tempo foi contrária a ideia da venda, até ser convencida pelo empresário Ricardo Mansur.
Em 1996 Mansur compra o Mappin por 25 milhões de reais, e promete novo fôlego para a empresa. Uma de suas ideias era transformar o Mappin em uma rede de franquias e abrir pelo menos 40 novas lojas espalhadas pelo Brasil.
Entretanto nenhuma das ideias deu certo e logo o Mappin estaria em crise novamente, desta vez muito mais profunda, o que levou a rede em 1999 a acumular 300 pedidos de falência na praça, além de uma dívida de 1.2 bilhão de reais. Neste ano, 86 anos depois de sua fundação, o Mappin encerraria suas atividades, deixando para trás funcionários, fregueses e uma bela história construída em São Paulo através de décadas e décadas do século 20.
Mappin
Em 2010 a Rede Marabraz adquiriu, em leilão público, os direitos sobre a marca Mappin em todo o Brasil. A compra atingiu o valor de 5 milhões de reais, valor 60% menor que a avaliação judicial, que ficou em 12 milhões. A ideia dos novos proprietários da marca é reativar o Mappin ainda no ano de 2014. Se a iniciativa irá realmente se concretizar ainda não sabemos, contudo só a ideia de ver novamente o Mappin funcionando é uma grande satisfação aos paulistanos, que ao longo do século 20 de uma forma ou de outra tiveram o Mappin em seu cotidiano.





terça-feira, 10 de março de 2020

Templo Zu Lai






Templo Zu Lai (em  chinês,  如來寺) é o maior  templo budista da América Latina,  com 10 000 metros quadrados de área construída, ocupando um terreno com 150 000 metros quadrados. Inaugurado em  5 de outubro de 2003,  ele está localizado no município de  Cotia,  com acesso pela  Rodovia Raposo Tavares. 




Ligado ao  monastério Fo Guang Shang,  com raíz no  Budismo Mahayana,  o Templo Zu Lai tem como objetivo manter a tradição da natureza búdica, deixando-a ao alcance de todos. Seus frequentadores utilizam os ensinamentos do  Budismo Humanista  com o objetivo de ensinar os princípios do monastério Fo Guang Shan, divulgando o  Budismo  através da  educação, cultura, filantropia e purificação espiritual.



Em 1992 o venerável mestre  Hsing Yun  veio ao Brasil, a convite de um templo da cidade de São Paulo,  para uma cerimônia. Um discípulo presente perguntou se ele não poderia deixar um monge de sua comitiva no país para que os ensinamentos tivessem continuidade. A monja Jue Cheng (Mestra Sinceridade) se dispôs a ficar e iniciar o projeto, ganhando posteriormente o nome Mestra Sinceridade.





O discípulo que pediu ao mestre que deixasse um monge no Brasil doou uma casa em um sítio para que os trabalhos fossem realizados. Não muito pequena, tornou-se um espaço para as cerimônias, cultos e ritos. Quatro anos mais tarde o número de seguidores passava de cem, o que levou a necessidade de se ampliar o espaço. Apesar da reforma feita, o local ainda não apresentava condições para abrigar os seguidores, então optou-se pela construção de um  templo  maior.


Como os arquitetos brasileiros envolvidos no projeto não conheciam a arquitetura de um  templo, A mestra  Sinceridade montou uma equipe que viajou à  China  com o objetivo de conhecer os  templos da Dinastia Tang.  A pedra fundamental foi lançada em 1999. Como as  telhas e o parapeito do templo  precisavam ser importadas da  China,  já que na época ninguém no Brasil fazia este tipo trabalho, os recursos foram insuficientes para que as obras tivessem início imediato, o que adiou a inauguração do Templo Zu Lai para outubro de 2003.